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Thursday, 25 June 2020 17:01

Capela de Nossa Senhora dos Aflitos completa 241 anos

Capela de Nossa Senhora dos Aflitos completa 241 anos Imagem: Rodrigo Capote/Folhapress

No próximo sábado, 27/6, acontece a Missa em Ação de Graças pelos 241 ano da Capela de Nossa Senhora dos Aflitos. A missa vai ser transmitida pelas redes sociais da Capela devido à pandemia. Links aqui: Facebook e YouTube.

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Divulgação da Missa

"Nós tivemos a honra de propor o reconhecimento do culto de adoração ao cabo Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, que acontece na capela, como um patrimônio cultural imaterial do Estado. Tem muita história ali, muita memória e isso precisa ser reconhecido e cultivado pelo povo brasileiro", defende a deputada Leci Brandão. O Projeto de Lei mencionado é o 118/2020 e está em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo. Na justificativa da proposta, consta a história que deu nome ao bairro da Liberdade e o motivo pelo qual, na Capela, se realiza o culto de adoração ao cabo Francisco José das Chagas, o Chaguinhas. Confira essa história incrível!

JUSTIFICATIVA DO PL 118/2020

O culto ao cabo Francisco José das Chagas, também conhecido como “Chaguinhas”, iniciou-se logo após a sua morte, tendo sido enforcado onde hoje se encontra a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Em 27 de junho de 1821, deu-se início a uma rebelião do Primeiro Batalhão de Caçadores, aquartelado em Santos, após cinco anos de atraso no pagamento dos soldos devidos. Arrombaram a cadeia, soltando todos os presos; invadiram o Trem de Guerra, apossando-se de todas as armas e munições; assestaram artilharia sobre a vila, fazendo fogo contra um navio de guerra português ancorado no porto; prenderam as autoridades, saqueando os estabelecimentos públicos e particulares e pondo a resgate todos os cidadãos abastados em que conseguiram por as mãos, dividindo entre si o produto das pilhagens e sequestros. Ao fim da rebelião, os “mais culpados” foram sentenciados à forca. Entre os cinco condenados, estava José das Chagas.

A tradição conta que, diferente de seus companheiros, Chaguinhas não morreu devido ao rompimento da corda de sua forca. Na época, tal acontecimento era sinônimo da inocência do condenado e da clemência de Deus. Entretanto, a ordem de seu enforcamento não foi retirada e uma nova corda foi colocada em seu pescoço. Tal ato gerou comoção entre os presentes, que passaram a clamar pela soltura do preso aos gritos de “LIBERDADE”, o que teria modificado o nome do bairro. Mais uma vez a corda de Chaguinhas se rompeu, aumentando os protestos populares, mas sua sentença não foi suspensa. Por fim, seu enforcamento foi concluído com uma tira de couro.

No exato local onde foi enforcado, populares ergueram uma cruz em memória de sua execução e da indiferença das autoridades em face dos clamores do povo. Enterrado no primeiro cemitério público de São Paulo, a capela do local terminou por abrigar o culto à Chaguinhas. Inicialmente, acendiam velas na capela de Nossa Senhora dos Aflitos do lado de fora, junto à parede; com o tempo criou-se um pequeno recinto onde o culto popular a Chaguinhas continua a ser praticado.

Observado o exercício de veneração à figura, unido aos dispositivos de proteção ao acesso às diversas fontes de cultura nacional, incluindo rituais religiosos e santuários, fica justificada a presente propositura.

Sala das Sessões, em 17/3/2020.
a) Leci Brandão - PCdoB

dep leci

Deputada Leci Brandão - PCdoB/SP

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